9.4.21

UMA CARTA PARA MEU EX - PADRASTO - ABUSADOR

 Oi Pessoal!!

    Depois de muito tempo sem escrever nada por aqui, resolvi aparecer. Não sei se vocês vão conseguir lembrar que eu disse no outro texto que iria escrever sobre traumas que já sofri na vida. Como todo mundo que já passou por um trauma, não consegue falar sobre o ocorrido, até você perceber que você é maior que esse trauma, que não importa o que as pessoas vão pensar sobre tudo que você viveu, porque no fundo só você sabe o estrago que esse trauma lhe causou.

    Bem, eu o por muitos anos escondi isso que aconteceu comigo, da minha família, de amigos, de muitos, acredito que muitas mulheres ou pessoas que passaram por isso, também tenha escondido ou esconda, por medo do julgamento e reação das pessoas, mas quero dizer que se hoje eu consigo vim aqui escrever sobre o assunto, um dia vocês também vão consegui.

    Eu tinha 10 anos, quando tudo que vou relatar nesta carta aconteceu:

 
"Estou escrevendo esta para você, para lhe dizer que você me machucou muito, quando eu era apenas uma criança, tinha apenas 10 anos, você entrou na minha vida como companheiro da minha mãe, e de vez de me olhar como uma filha, na sua mente doentia eu despertava seu prazer, seu desejo, sem fazer nada, afinal eu era apenas uma criança.


Você aproveitou que minha mãe confiava em você, que acreditava que você tinha um carinho por mim como filha, que estava apaixonada por você, tentou me estuprar. Graças a Deus e uma mordida minha, você não conseguiu o que queria, mas as cenas de você tentando me tocar onde nunca poderia ter tocado vem me provar que não foi um pesadelo, realmente aconteceu.

Você me ameaçou dizendo dizendo que se eu contasse para alguém, você iria me matar e matar a minha mãe, você nem imagina o dano que o seu ato me causou, você roubou minha infância, roubou minha confiança nos outros, principalmente se for um homem.

Por muitos anos eu me culpei, acreditei que a culpa foi minha, que eu tinha feito algo para chamar sua atenção, mas hoje consigo entender que eu que fui enganada e abusada.

Hoje agradeço a Deus, por você não ter conseguido terminar o ato, por hoje poder depois de muita terapia, tratamento, poder falar que me liberto desse fardo todo, eu lhe perdoou por todo esse sofrimento, e me perdoou também por carregar essa culpa que não é e nunca foi minha por tantos anos.

Retiro de dentro de mim essa raiva, me liberto de toda dor e sofrimento, limpo a minha alma, para viver coisas boas, leves e felizes.

Porque a partir de hoje eu me permito me amar, me permito confiar, me permito ser amada, me permito ser feliz e fazer o outro feliz, viver uma nova vida!!"

Bem pessoal, eu precisava escrever sobre isso que vivi, pensei por muito tempo sobre a exposição que esse assunto teria, minha mãe e irmãos sabem disso, mas o restante da família não, {muitos não sabem ainda disso, meu querido pai morreu sem saber}. Eles não concordam sobre eu escrever aqui sobre isso, mas Deus vem me pedindo para escrever, como forma de ajudar outras pessoas que passaram ou passam por isso.

E é por essas pessoas que eu ainda nem conheço, nem sei quem são, estou aqui para dizer que vocês NÃO SÃO CULPADOS; VOCÊS NÃO PEDIRAM OU QUISERAM VIVER ISSO; VOCÊS NÃO SÃO ISSO QUE ACONTECEU; VOCÊS NÃO SÃO ESSE TRAUMA. VOCÊS SÃO VENCEDORES E MAIORES DO QUE ISSO TUDO!!

EU ACREDITO EM VOCÊS, ASSIM COMO ACREDITO EM MIM!!

Eu sei que isso não vai ser apagado da minha memória, mas foram esse e outros traumas que sofri que me fizeram ser a mulher que sou hoje!!

EU SOU UMA MULHER INCRÍVEL, SOU UMA VENCENDORA. EU SOU FODA!!



Beijos, até o próximo texto

Paula Ravenala 




16.7.20

Preconceito

Oi Pessoal!!

         Eu resolvi falar com vocês sobre um dos assuntos que as pessoas que tem alguma deficiência, enfrenta direto, alguns mais que os outros, muitos falam que isso não existe mais, tem quem diga que isso é mais coisa das nossas cabeças, mas a verdade nua e crua é uma só: o Preconceito existe, seja disfarçado ou descarado, e tem um efeito nocivo.

         Passei por muitos episódios, comecei a passar por esses momentos quando ainda era criança, ao andar de ônibus com a minha mãe, as pessoas ficavam olhando com aquele olhar de pena, quando não diziam coitadinha, mas quando era criança eu na minha inocência falava: - Deixa mãe o povo falar nem ligue, nem ligue deixa o povo falar....

         Fui crescendo, começando a entender as coisas, ganhei minha primeira cadeira de rodas, fui para Brasília pela primeira vez, na casa de parentes, eu só podia descer para brincar no rol do prédio, quando não tivesse nenhuma criança, só podia fazer amizade com a filha do síndico, e não podia interagir com ninguém mais, além de ficar a maior parte do tempo dentro do apartamento, não podia nem sonhar em encostar nos móveis para não arranhar, todas as minhas refeições eram feitas na cozinha junto com os empregados.

         Veio o período de começar a estudar, a escola não queria me aceitar, e ainda falou que se eu fosse estudar nela, seria em uma sala separada, mas meu pai bateu o pé, disse que eu iria estudar sim naquela escola e seria junto com os outros alunos.

         Fiquei adolescente, começou as paqueras, era duro ouvir, “você é linda, pena que está em uma cadeira de rodas, se eu namorar com você o que minha família e amigos vão dizer...” E o tempo foi passando, e eu comecei a enfrentar com a cabeça erguida esses momentos, jurando que isso não iria me machucar.

         Até o dia que eu fui pegar um ônibus o elevador que uso para subir quebrou, fazendo que todos descessem e pegasse o próximo ônibus, que estava com o elevador com defeito também, e os passageiros começaram a descer me xingando e dizendo que a culpa por quebrar todos os ônibus era minha, que lugar de aleijado é em casa, não atrapalhando a vida das pessoas normais.

         Lembro que não conseguir enfrentar de cabeça erguida, que não tive resposta para isso, só comecei a chorar, sentindo o peso do Preconceito, da Diferenciação que as pessoas fazem por você ter ou não uma deficiência. Me feriu demais esse momento, chorei bastante, ainda bem que tinha minha mãe comigo e foi a vez dela me dizer: “ - Filha, não ligue para o que o povo diz, deixe eles falarem nem ligue, nem ligue deixe eles falarem, isso não define quem você é”

         Ela como sempre estava muito certíssima, olhando para traz por todos os momentos de preconceito que já passei e sei que ainda vou passar, só me mostra como sou forte, e verdadeiramente não sou uma aleijada, não sou uma pessoa limitada, sou simplesmente uma mulher que usa a cadeira de rodas para se locomover, afinal alguns utilizam os pés, eu uso as rodas da minha cadeira, posso garantir, essas rodas já andaram por aí, mas que muitos pés!!


Beijos💋

Paula Ravenala


14.7.20

Mudanças...


    

Oi Pessoal.

         Eu fiquei 1 ano e um pouquinho sem escrever porque era necessário que algumas mudanças acontecessem, comecei a fazer por mim, e dessa vez não foi só no exterior, está acontecendo por dentro, precisava conhecer-me a fundo, entender meus sentimentos e pensamentos, modificar minhas prioridades, realmente estava precisando fazer uma reforma em mim mesma.

         Foi um período de muitos acontecimentos, muitas realizações, alguns passos para traz para dar continuidade na caminhada, tive que deixar muitas folhas caírem da minha árvore pois é sinal de crescimento, aproveitei para reavaliar muitas das minhas atitudes, minhas relações, foi um processo de ressignificação para todas as áreas da minha vida.

         Por isso que o blog ficou parado, mas jamais esquecido, porque a autora estava nessa reforma toda, não seria diferente com esse cantinho todo especial aqui, então resolvi só volto a escrever quando eu saber o que realmente eu quero transmitir pela minha escrita.

         Resolvi aparecer aqui, mas antes era necessário dá uma repaginada nele, então  não se assustem se perceberem umas mudanças por aqui, não só na questão visual, mas também nos textos e temas que irei trazer aqui, afinal de contas é uma longa jornada a do amadurecimento, eu gosto de dizer que estou em constante transformação e evolução.

Quem me acompanha aqui desde o começo sabe que comecei a escrever no blog como um hobby, não tinha muita consciência da importância dos meus textos, de como a minha escrita ajudava as pessoas a refletirem sobre muitos aspectos das suas próprias vidas.

E conversando com alguns dos que me acompanhavam aqui, que ler meus textos, fui compreendendo que não poderia simplesmente vim aqui e escrever sobre o que penso sobre algumas coisas que acontecem na minha vida, eu tinha me tornado uma pessoa que inspirava outras pessoas.

Então por isso dei essa pausa, para refletir e repensar muitas coisas, e tomar decisões com mais responsabilidade principalmente emocional. Porque não irei mais escrever aqui por hobby, irei levar a escrita muito mais a sério. Agora os textos talvez não tenham tanto uma conotação simples como antes, pois abordarei sim temas sobre os quais vivi que não serão tão fácies de ler, mas garanto que continuaram ajudando as outras pessoas a refletirem.

Pode ser que muitos desses novos textos, faça com que muitos mudem sua visão sobre a minha pessoa, mas eu vejo que já passou da hora de enfrentar esses fantasmas de frente, e quem não se sentir à vontade com a minha nova escrita, fiquem à vontade em não me acompanhar mais e nem ler.

É isso pessoal, precisava vim aqui informar vocês das mudanças que teremos nesse espaço tão importante e especial para mim, a desculpa pelo texto tão longo.... Vou tentar ser mais breve nos próximos.

Beijos💋

Paula Ravenala

 

 

        


8.6.19

VOCÊ PODE TUDO, BASTA QUERER.

Olá Pessoal!
Desta vez não demorei tanto para aparecer por aqui, como vocês estão? Eu estou bem graças a Deus, estou numa correria que vocês não imaginam, tendo que conciliar as atividades na agenda. Mas isso é bom, porque é sinal que estou Viva, com Saúde e muita disposição. Antes de começar a conversar com vocês sobre o tema que escolhi para hoje, queria agradecer a vocês que me acompanham, que tiram um tempinho para ler os meus textos, pois sei que eles as vezes ficam um pouco extenso, juro que tento ser sucinta, mas a empolgação em conversar com vocês é mais forte do que eu, quando vejo já está enorme, então por isso o meu MUITO OBRIGADA para todos vocês, meus leitores, seguidores e amigos fiéis.
Agora vamos conversar um pouco sobre o tema que trouxe hoje: Você Pode Tudo, Basta Querer, esse é o tema da minha palestra motivacional(vocês se lembram que eu falei que voltei a palestrar esse ano? Comentei no texto anterior). Essa palestra nada mais é do que um resumo da minha história de vida e superação. Numa dessas palestras que faço por aí, fui convidada para o Centro Educacional Municipal Luiz de Amorim Leão (CEMLAL) no Município de Messias - AL, para os alunos do 8 Ano, com faixa etária de 15 a 17 anos, que passam por muitas dificuldades e privações, e com isso não sentem mais motivação para estudar, não levando os estudos mais a sério. 
E os professores preocupados com essa desmotivação dos alunos, pensaram que minha palestra poderiam ajudar-los, e lá fui eu com a missão de através da minha história de vida, incentiva-los a voltar a estudar. O convite veio por meio do Professor Eliandro, da Coordenadora Aizzi Vanja, ela veio me buscar de carro, me levou para o local da palestra. Confesso que estava bastante nervosa e tensa, pois falar para adolescentes não é fácil, eles se dispersam rápido, para prender a atenção deles é uma tarefa difícil, mas a vontade de ajudar era maior do que isso tudo, coloquei o tenho de melhor o meu sorriso, minha fé e fui.
Quando eles foram chegando, começaram a sentarem, todos me olhando com aquele olhar intrigado, alguns envergonhados, outros com olhar de dúvida do tipo de palestra que seria, mais acima de tudo, eu vi muita curiosidade nos seus olhares, por conta da cadeira de rodas. Comecei a palestra, todos me ouviram perfeitamente. No final da palestra alguns vieram pedindo para tirar foto, pedindo abraço, e uma dentre eles me chamou atenção, pois ela chorava bastante, me abraçou apertado e me agradeceu pela palestra, depois saiu. Depois fiquei sabendo sua história, ela tem depressão, tinha a pratica da automutilação (ela se cortava para ver se a dor da depressão era menor do que a dor dos cortes).
Espero do fundo do meu coração que Deus tenha me usado de alguma forma, para ajudar essa jovem menina, e que a minha história de vida, de superação e perseverança, tenha ajudado essa turma de adolescentes. 
Porque verdadeiramente eu acredito que podemos tudo, basta queremos, pois se a própria Bíblia fala que: "Tudo posso nAquele que me fortalece - Filipenses 4:13". Então podemos sim, porque para muitos uma pessoa na cadeira de rodas não poderia chegar até onde cheguei, pois existe limites demais, mas eu digo com veemência que os limites somos nós que colocamos em nossa mente. Se você tem FÉ, Força de Vontade, VOCÊ PODE TUDO!!
Nunca duvide de você, nunca duvide do seu potencial, vocês podem tudo!!
Até o próximo encontro meus queridos.
Beijos
Paula Ravenala 💋

26.5.19

Vermelho, Cor da Vida!!

Olá Pessoal...
Tudo bem com vocês? Comigo apesar das perdas que tive, estou me erguendo e seguindo em frente. Faz um tempo que não apareço por aqui, mas voltei, e vai ter uma surra de novidades pra vocês, eu voltei a dar palestra, comecei a ter apresentação de dança, alguns projetos sobre acessibilidade de onde trabalho e do meu Estado, isso contarei melhor para vocês nos próximos textos. Hoje eu vim conversar com vocês sobre a cor vermelha, a importância dela na minha vida, e tudo mais.
O vermelho nunca foi minha cor favorita, eu nem gostava de usar, por ter sido evangélica por muitos anos, sempre usei cores neutras, que não chamavam muita atenção, nada de ousado, sempre as mesmas cores, tudo igual. Sempre fui a menina, comportada, delicada, obediente, que seguia corretamente todas as regras, os padrões, sempre aquela que tentava a todo custo agradar em tudo e a todos. Há 3 anos atrás eu entrei em depressão, estava sem vontade de me arrumar, sem vontade de fazer nada, nem ouvir ninguém. Graças a Deus, tenho uma família que não desiste de mim, tenho amigos que puxava assunto mesmo sem eu querer falar, e faço tratamento em uma instituição que é minha segunda família APAE Maceió (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). 
Mesmo sem vontade alguma, eu ia para APAE toda semana, e comecei a fazer terapia com a psicóloga Vanessa, ela também não desistiu de mim, pensou em uma técnica, pra que eu volta-se a ter vontade de me olhar ao menos no espelho, me passando uma tarefa de casa, pegar um batom vermelho, usá-lo na frente do espelho, depois escrever o que sentia ao me olhar no espelho, o que realmente enxergava, e assim eu fiz. Depois Ela passou que era pra mim usar o batom vermelho ao sair de casa, observar se eu atraia olhares e como eu me sentia com isso, e mais uma vez eu fiz. Logo em seguida, falou que eu precisava fazer uma mudança no meu visual, e eu fui além de só cortar o cabelo, resolvi arriscar e pintei o cabelo de vermelho pela primeira vez. 
Depois que me olhei no espelho, comecei a ver o quanto eu estava apagada, morta por fora e principalmente por dentro, e a mudança começou acontecer, não só externamente, comecei a olhar mais pra mim, fazer uma autoanalise, comecei a perceber que eu não fazia as coisas por que eu gostava, mas sim para agradar os outros, que eu não era aquela pessoa, eu vivia de aparência. Decidir dar um basta, sai da Igreja, me afastei de muitas pessoas, comecei a dizer não, comecei a ser eu mesma,  deixa eu explicar uma coisa antes( não era porque  eu fazia parte de Igreja,  que eu não era eu mesma, era por querer ser alguém que todos gostassem, por querer agradar a todos, por querer seguir todos os padrões, e esqueci de agradar a mim mesma.) comecei a  me sentir como Dona da Minha Vida. Eu comecei a melhorar da depressão graças a Deus, graças a minha família, amigos e principalmente a minha psicologa Vanessa.
Comecei a ver que minha vida era muito sem graça, sem cor, sem vida, e o vermelho chegou pra mudar isso, hoje uso vermelho no cabelo, uso vermelho nos lábios, vermelho nas unhas e nas roupas (kkkkkkkkkkk) eu sei é muito vermelho junto, mas eu sou assim 8 ou 80, sou intensa demais, sou de extremos. Por isso, quando hoje em dia muitas pessoas falam: Tu gosta de um vermelho né? É a tua cor favorita? Está com segundas intenções usando unhas dessa cor, e estou respondendo todos vocês agora, não é minha cor favorita, mas é uma das mais significativas para mim, pois é a cor que me trouxe vida novamente, me mostrou que não preciso mais ter uma vida sem graça, sem cor., pois estou VIVA.
Não sei o que vocês estão passando, muitos podem hoje não ter vontade de viver, nem se olhando no espelho, achando sua vida sem graça, sem cor. Primeiro procure ajuda, procure tratamento, depressão é doença, não é falta de fé, nem frescura, É DOENÇA, então procure um profissional. Desejo que você assim como eu encontre a cor que falta na sua vida e VIVA!!

Beijos Pessoal, até breve prometo.

Paula Ravenala

13.1.19

Perdas!!

Oi Pessoal...
Tudo bem com vocês? Comigo estou vivendo um dia de cada vez, pois o tempo não espera não é mesmo? Então seguimos em frente um dia após o outro. Estou tentando aparecer um pouco mais por aqui, (aproveitando minhas férias né), para escrever, pois quando escrevo compartilho um pouco com vocês o que sinto e vivo. Hoje vim falar sobre um tema que não é fácil de escrever, mas eu precisava externalizar o que penso e sinto sobre esse tema: perdas. 
Quando eramos crianças, não gostávamos de perder em algum jogo, mesmo o mais bobo deles, eu não gostava de perder meus lápis de cores, meus adesivos (aqueles que vinham nos cadernos novos), nunca gostei de perder nada, imagina as pessoas que amo... Cresci, mas continuo não gostando de perdas.
Estava eu crescendo aprendendo a lidar com as coisas ruins que iam acontecendo, aí de repente vem a primeira perda, meu Avô Francisco Antônio (Pai da minha mãe), ele estava bonzinho sentiu uma dor, foi para a emergência e não voltou mais. O tempo foi passando, eu aprendendo a lidar com a dor da perda, ai minha Vó Dionísia ( Mãe da minha Mãe), que já vinha acamada por causa de duas fraturas do fêmur, derrame e etc, adquiriu uma pneumonia foi pra emergência e não voltou mais.
Foi ficando as lembranças, e aprendendo a seguir em frente com a dor e ausência, quando tive mais uma perda meu Avô Abdias (Pai do meu Pai), ele tinha Alzheimer, teve um infarto e morreu, como foi em Brasília não tive como ir para o velório, muito menos o enterro, mesmo longe me despedir dele, mais uma vez tive que continuar seguindo com dor aumentando, ausência sendo substituída pelas lembranças.
O tempo sempre me acompanhando e me ajudando a seguir em frente, ajudando a aprender a diminuir a dor, substituir ausência por boas lembranças, seguindo um dia de cada vez, vivendo um dia após o outro. Até quando veio outra perda, a minha Vó Mariana (Mãe do meu Pai), que já estava bem debilitada, morreu em Brasília também, como sempre não pude ir me despedir.
Depois de 1 ano, eu perco minha Prima/Irmã Luana, passamos nossa infância juntas, adolescência, morreu em um hospital em Natal - RN, por ser longe, não pode ir me despedir dela também, mas a distância não me impediu de sentir sua partida, e mais uma vez começou o ciclo de substituir ausência pelas boas lembranças.
Depois de um certo tempo foi minha Tia Albeniz (Irmã do meu Pai) tinha Síndrome Down, teve um infarto, morreu em Brasília, uma Tia que na minha infância não media esforços para me ver bem e feliz, uma  Tia que me ensinou o que é Amor Puro e Sincero. Mas uma pessoa que tive que me despedir de longe e continuar substituindo ausência em Amor.
Em 2018 tive uma das maiores perdas da minha vida, meu Amado Pai, se foi de infarto de repente, como sempre em Brasília, não fui no seu velório, não fui no seu enterro, tive que dá meu Adeus de longe (acho que ainda estou dando aos poucos), seguindo em frente de cabeça erguida como Ele sempre me ensinou.
2019 nem começou direito e já tive mais uma perda bem dolorosa, meu Irmão Marconi (Irmão por parte de Pai) estava lutando contra um câncer em estado de metástase, descansou de todo seu sofrimento, e eu continuo aqui substituindo as ausências pelas lembranças, momentos inesquecíveis e muito amor.
Todos Eles já se foram, eu fiquei, mas como meu Pai sempre me disse siga em frente de cabeça erguida, vivendo um dia de cada vez. Nenhum deles, iriam querer que eu para-se de Viver, de Sorrir e muito menos de Lutar e acreditar no Amor. Sim já perdi muito (esses foram só os familiares, fora os amigos queridos que não citei aqui, mas que deixam saudades também), Mas acredito que o Amor que sinto por cada um deles, não perdi e nunca vou perder, sempre vou continuar substituindo essas ausências infinitas por todos os momentos inesquecíveis que tive com cada um deles, por cada palavra de amor, carinho, amizade e respeito que me disseram, e assim vou continuar minha jornada, minha caminhada. Levando o legado que cada um me ensinou.
Sei que ainda irei perder muitos mais, pois infelizmente essa é a lei da vida, nascer, crescer e morrer, mas sei que Deus vai me consolar e me ajudar a seguir tempo ao tempo.
Se vocês tiveram muitas perdas como eu, digo-lhe de coração, tente substituir sempre que possível. E siga sempre em frente!!
Beijos
Paula Ravenala

5.1.19

Cadeirante Dançante ou Bailarina Cadeirante?

Oi Pessoal.
Tudo Bem com vocês? Comigo as coisas estão melhorando, afinal temos que seguir em frente, apesar da dor e da saudade. A vida não espera as feridas fecharem, ela segue, então temos que seguir também. Não é fácil seguir em frente, mas é necessário, por isso que estou de volta nesse cantinho, todo especial.
Eu sempre quis dançar, mas pensava por estar na cadeira de rodas eu não podia, fui ficando com vergonha, evitando dançar, mas no fundo eu sonhava em poder dançar. Mesmo com todas as dificuldades, eu queria muito dançar. Quando fui para o Sarah, tive aula de dança lá, dança na cadeira de rodas, aquilo acendeu a chama que estava adormecida dentro de mim. 
Voltei pra Maceió, procurei em todos os lugares a dança para cadeirantes, coloquei até no meu Facebook, perguntando se alguém sabia, mas nada e os anos passando e eu queimando por dentro, com essa vontade de dançar livremente mesmo na cadeira. 
Faço fisioterapia na APAE ( Associação de Pais e Amigos Especiais) de Maceió, e lá fiquei sabendo que iria iniciar uma turma de dança, voltada para os pacientes na cadeira de rodas, eu sabia que era a resposta que eu estava procurando. 
Em Agosto começamos a ter as aulas. ver os outros pacientes (muitos deles com deficiência intelectual, sorrirem ao som e ritmo da música, interagindo da maneira deles) minha nossa eu ficava toda arrepiada. Os meses foram passando e fomos ensaiando para apresentação de natal. Quando chegou perto do dia, nossa professora Cleci Nascimento foi assaltada e não pode ir para o nosso ensaio, pensei porque eu não posso ajudar o grupo a ensaiar assim mesmo. E assim fi, juntei a turma, fomos pra sala que usamos pra ensaiar, coloquei a musica, e ensaiamos. 
No dia da apresentação aconteceu tanto imprevistos, quase não nos apresentávamos, mas no final deu tudo certo, foi lindo e emocionante. Provei pra mim mesma e para as outras pessoas que cadeirante pode e deve dançar. 
Agradeço a APAE - Maceió por proporcionar o espaço para ensaiarmos, a professora Cleci pelo seu tempo, por seu esforço e dedicação em nos ensinar e ao meu grupo de dança (não temos nome ainda, mas quem sabe da próxima vez que eu falar aqui, eu divulgo o nome) meu muito obrigada por me ajudar a realizar esse meu sonho.
Agora sou uma cadeirante dançante ou será uma bailarina cadeirante?
Beijos e até a próxima
Paula Ravenala

A minha missão de vida, é lutar por Acessibilidade!!!

  Olá Pessoal!!! Como vocês estão? Espero que bem, eu estou entre meus altos e baixos, dias bem e dias doente. O bom que tudo é passageiro, ...